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Consertador de brinquedos transforma sua oficina em hospital, com emergência e berçário

Há 25 anos, Luiz Carlos Alves Espinoza se deparava com seu primeiro caso de emergência: um carrinho de controle remoto que não conseguia andar. O atendimento foi feito às pressas, na sala sem preparo onde Espinoza trabalhava como chaveiro após ver sua profissão de mecanógrafo chegar ao fim, com a substituição da máquina de escrever pelo computador. Por sorte, os primeiros socorros foram aprendidos na infância, quando o futuro médico de brinquedos consertava os poucos que tinha e construía novos com madeira e lata.

— Consertei o brinquedo do filho de uma cliente e ela ficou tão maravilhada que começou a falar para todo mundo o que eu tinha feito. A partir daí, toda semana, apareciam brinquedos para eu consertar — conta o doutor Luiz, que atende bonecas, robôs, carros, trens, jogos e pacientes de muitos outros tipos.

Durante 17 anos, os tratamentos eram feitos em uma sala comum. Com a crescente demanda, Luiz inaugurou o Hospital de Brinquedos, na Taquara, há oito anos. E o lugar faz juz ao nome: a unidade conta com sala de raio x, onde são tiradas fotos para registrar o estado do paciente ao dar entrada; emergência; centro cirúrgico; ortopedia, local dos atendimentos; e berçário para internação. Casos mais graves ainda contam com uma UTI Móvel, como é chamado o carro que o profissional usa para pegar em casa seus pacientes. Luiz ressalta que, afinal, “consertar brinquedo não é brincadeira”:

— As crianças trazem o brinquedo enrolado numa manta, ficam o tempo todo do meu lado e ligam para perguntar sobre o estado de saúde dele. Sábado é dia de visita. Os brinquedos são passados de pais para filho e fazem parte da formação do indivíduo.

A chegada de eletrônicos da China fez com que o atendimento caísse em torno de 40%. A dificuldade de achar peças e o baixo custo dos novos brinquedos fazem com que o tratamento nem sempre valha a pena, no entender dos donos. Apesar da queda, Luiz quer inaugurar “UPAs” em Caxias e Campo Grande:

— O sorriso da criança quando pega o brinquedo de volta não tem preço. Elas acreditam neste ambiente. Eu queria começar a restaurar o sonho das crianças e estou conseguindo.

Os filhos estão seguindo os passos do pai. Erick Alves Espinoza é o “médico” especializado em mecânica e eletrônica, atendendo principalmente robôs e motos. Já Lais Nogueira Espinoza está encarregada da área dermatológica: cuida da limpeza e higienização. E Julio César Alves Espinoza auxilia em épocas de maior movimentação; daí ser chamado de “residente” do hospital. A ex-mulher de Luiz, Solange Alves, é encarregado do raio x. E, no berçário, a responsável é a sorridente enfermeira Ana Paula, uma boneca.

— Hoje, os brinquedos são eletrônicos, como videogames; as crianças querem tablets e smartphones. Mas algumas pessoas ainda guardam os tradicionais com todo o cuidado para passar aos filhos — diz o Erick.

Na ala de internação, são encontrados até pacientes nascidos na década de 70. Carros de controle remoto dos modelos Pegasus e Maximus, geralmente, precisam de reparos na parte elétrica. O clássico jogo Genius ainda desafia a memória e agilidade das gerações mais novas e dos saudosistas. Até mesmo estrelas da Disney, como o caubói Woody, de Toy Story, baixam por lá.

— No orçamento, tentamos não ultrapassar 20% do valor do brinquedo novo, justamente para estimular o conserto — conta Luiz.

O Hospital de Brinquedos fica na Avenida Nelson Cardoso 275, Taquara. Tels.: 2456-1868 e 2456-1950.

Fonte: O Globo

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