Como a superproteção pode atrapalhar o desenvolvimento das crianças

Eis o cenário típico: os filhos querem brincar, sozinhos ou com outras crianças, mas os pais não se sentem seguros. Cercam a criança de recomendações, ficam aflitos o tempo todo, achando que a criança pode cair, se machucar, se ralar. Por fim, acabam restringindo excessivamente o espaço para brincar.

Esta atitude de superproteção pode, se praticada constantemente, atrapalhar o desenvolvimento da criança. A psicóloga Andrea Ribeiro Contreras conversou com a Casa do Brincar e conta por que superproteger as crianças pode trazer problemas no futuro.

Segundo Andrea, a superproteção é uma atitude normal dos pais, e que varia entre as famílias. “Hoje em dia percebemos isso principalmente nas classes A e B. Os pais querem evitar que os filhos sintam dor, frustração, e acabam colocando eles em uma redoma, onde nada de mal pode acontecer”.

Principalmente na primeira infância, dos 0 aos 6 anos, a criança aprende e se desenvolve por meio do seu corpo. É por ele que ela experimenta sensações e aumenta seu repertório. “Os pais são bem intencionados, não querem que os filhos sofram. Mas ser pai não é fácil. Uma das tarefas mais difíceis é deixar o filho aprender a lidar com a sua liberdade, deixando que ele se desenvolva e tenha suas experiências”, afirma a psicóloga.

A superproteção atrapalha a criança em seu desenvolvimento motor. Quando os pais tentam ajudam demais a criança nos seus movimentos, não deixam que a criança experimente e, assim, se desenvolva. Toda experiência que ela passa durante a brincadeira, seja ela positiva ou negativa, acaba sendo assimilada e fazendo parte da vida dela. Em outras palavras, “é caindo que a criança aprende a levantar e a se proteger”.

O desenvolvimento motor tem o seu paralelo na parte emocional. Se a criança não passa por experiências de frustração na infância, quando chegar à vida adulta pode ter problemas em lidar com elas. “Nossa sociedade não sabe lidar muito bem com a dor. Não vê as coisas negativas como algo que fazem parte da vida e que devem ser superadas, mas como algo que deve ser ao máximo evitado”, completa Andrea. Segundo ela, a consequência é que a capacidade de superação de problemas da criança fica comprometida, e se amplia na vida adulta.

“Muitas vezes os pais ficam muito mais apavorados que as crianças quando elas caem. A criança em instantes está pronta para brincar novamente. Mas, ver a reação exagerada dos pais, pode trazer insegurança”, afirma.

Seja em casa, na praça, no playground, na praia ou na rua, é interessante que as crianças passem pelas suas próprias experiências relevantes, de forma supervisionada e mantendo a segurança da criança.

Na Casa do Brincar desenvolvemos e renovamos ambientes e atividades para a que a criança aproveite e tenha experiências relevantes, equilibrando proteção e liberdade.

Vida em Família são temas interativos da Casa do Brincar, em que valorizam os momentos juntos. Há tanto o que conversar com as crianças, fazer junto com elas, tanto o que rir, brincar juntos. E nessa conversa a gente muitas vezes aprende mais do que ensina.

Contato:
Andrea Ribeiro Contreras – agoesrib@hotmail.com

20 ideias sobre “Como a superproteção pode atrapalhar o desenvolvimento das crianças

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